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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Entrevista: União Dmc's [AL]

Perguntas elaboradas por PH...


Hip-Hop Alagoano - Ice-Lu, fale um pouco da sua trajetória e dos projetos que você já desenvolveu até hoje em prol do hip-hop.
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Salve família! Falar de minha trajetória é interessante e engraçado também, “risos” eu comecei como vários no meu estado de forma errada, eu dançava dança de rua, mas não conhecia por esse nome, conhecia como “funk” tudo naquela época era “funk” e dança o House Music também como Tecnotrônic, Information Societ, e alguns...mas, voltando ao passado, meu contato com a musica black veio primeiro com o reggae, meu irmão é reggueiro, então ouvia reggae e ouvia um forrozinho cantando pelo grande Luiz Gonzaga, discos q meu pai ouvia em casa, e daí começa tudo, eu já estava andando nas discotecas locais, quem lembra e morou aqui sabe como era bom aqueles tempos, Flash Dance, Nobre, Casarão, e a velha e inesquecível Som Brasil, mas nesse tempo eu era muleke, andava nas matinês mas já curtia o som e me identificava mais com aquilo, toda uma cultura ao meu redor, eu só tinha que me adaptar com aqui tudo. Mas foi em 93 que a coisa começa a pegar jeito mesmo, o DJP antes disso começou a namorar minha irmã, ”risos” então ele teve que partir para São Paulo, e de lá começou a mandar fitas K7’s para minha irmã, e comecei a ouvir rap assim, e quando ele chegou passou a me mostrar os discos, e o primeiro som que eu grave com ele foi o “homem na estrada” Racionais Mcs, sob o aviso dele, que era pra eu ouvir baixo, visto que minha mãe pudesse não gostar do iria ouvir...”risos”...mas aê eu gostei mais ainda do que eu ouvi, e passei a ouvir mais ainda rap nacional e gringo, várias gravações de K7’s.
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Em 94 eu já estava dançando em matinês nas tardes dançantes realizadas por aqui algumas por DJP e outras por outro cara aqui, pois bem, eu comecei a andar de bermuda larga camisa G, e minha mãe começou a me criticar por este jeito que estava adquirindo, pois eu andava em igreja evangélica, e de repente eu mudo para a moda hip-hop, mas isso ainda era pouco, em 95 aconteceu aqui os 300 Anos do dia da consciência negra, e pela primeira vez eu vi um grupo de rap na minha frente, o grupo se me lembro bem era com o nome de “geração rap” que veio acompanhado do b.boy aposentado “burracha” este sim era um burracha...risos...eu vi aquilo tudo e me bateu a vontade de fazer aquilo também, então o Paulo teve a idéia de ir comigo falar com a secretária de cultura de daqui na época, e conseguimos no ano seguinte realizar as primeiras aulas de dança de rua aqui em união dos palmares, eu como aluno também...risos...
Então começou a febre, eu já estava dançando em grupos de dança, se apresentando pelo estado, e logo após já estava com a idéia de cantar influenciado pelo DJP, em 98 começo a cantar RAP, meu primeiro som foi “A Mensagem” cantando na divulgação do filme “O Rap do Pequeno Príncipe” evento realizado pela Petrobrás onde pudemos ir cantar na capital, daí, o negócio continuou, shows no dia da consciência negra, eventos realizados pela Sui Shamusca, produtora cultural do SEBRAE, shows em Maceió e em Recife-PE. Vou parar um pouco por que a história é grande...risos...

Hip-Hop Alagoano - como você ver o rap alagoano hoje em dia, comparando com a época que você começou cantar?
Hoje vejo como uma continuidade do que começamos, grupos novos, novas idéias, idéias boas e idéias contraditórias, hoje a acessibilidade é mais fácil pra garotada de hoje, antes não, antes não tínhamos a tv apoiando na divulgação, não tínhamos uma moda na rua no corpo da pivetada, mas na minha opinião o rap alagoano ainda tem muito chão pela frente, mas pra isso devemos ter mais respeito e boa representação em diversos ambientes e ter mais conhecimentos.

Hip-Hop Alagoano - hoje em dia você está preste a lançar um trampo solo “demo”, qual a diferença do rap que você faz no grupo União Dmcs comparado ao que você faz solo?já que você tem muitas influencias musicais.
Meu trampo solo será um lado novo que aprendi a desenvolver, eu não esperava e nem sabia que poderia cantar R&B, pois bem, esse será o estilo que irão escutar do Lu, este trabalho é totalmente diferente do União Dmcs, no grupo eu abordo vários temas, preconceito, violência e sociedade junto com eu parceiro Mano Gill que está comigo desde 1999.

Hip-Hop Alagoano -
Sendo você um militante com quase 10 anos de Hip-Hop, o pessoal mais novo te cobra bastante por causa da sua nova postura e maneira de pensar. Como você ver essas cobranças relacionadas ao seu novo comportamento perante o Hip-Hop?Eu vejo o Hip-Hop como movimento de evolução e revolução, não só críticas, é normal a garotada me cobrar, eles ainda são “garotos” e ainda vão aprender muitas coisas com a sociedade em que vivemos, eu antes escrachava muito o sistema, mas não conhecia este lado do sistema, eu hoje conheço os dois lados da moeda, e hoje eu tenho mais argumentos para falar dele, hoje eu posso e sei que tenho total segurança do que eu venha a falar desse termo. Pois já diz o disco do RZO,”evolução é uma coisa” então irmão, estamos aqui nisso para ser mudado com o tempo, idade trás experiência e qualidade no que você irá fazer.

Hip-Hop Alagoano - A Internet hoje se tornou algo tão popular que alguns mcs hoje rompem fronteiras e chegam a gravar musicas com a participação de grupos de todos os lugares do Brasil. Inclusive você fez um som com o PH recentemente dessa forma, fale um pouco dessa experiência.
Fazer isto é uma forma de inovar seu conhecimentos, aqui não é fácil fazer RAP, e muito menos participação, mas com a Internet a coisa mostrou que é capaz disso acontecer, seria ruim pra eu ir até Maceió pra gravar um som Mcs de capital, mas aí eu escutei um som do PH com o Dj Buiu do Rio Grande DO Sul, e me interessei pelo assunto e perguntei se ele topava fazer um som comigo daquela forma...risos...então nasceu a música “A Bela e o Plebeu” musica esta que tocou aqui nas rádios locais na boca e no celulares da rapaziada. Foi uma experiência muito boa fazer este som com PH.

Hip-Hop Alagoano - Hoje você é o primeiro e único membro alagoano da Zulu Nation Brasil, o que é a Zulu Nation e qual o sentido de você fazer parte dela?
Verdade. Eu sou o único membro de alagoas, não me gabo por isso, mas vejo como um reconhecimento pelo o que eu já fiz aqui na minha área, a Zulu Nation, é como o quartel general do hip-hop, todo conhecimento que você procurar irá conseguir com nela, a Zulu Nation prega a paz e a união de várias etnias unindo através da cultura de rua denominada Hip-Hop. O fato de eu estar fazendo parte dela, é a sede de mais conhecimento de nossa cultura e formação dentro dela.

Hip-Hop Alagoano - Hoje você desenvolve um projeto social na sua cidade, onde você trabalha diretamente com os jovens...Esse projeto tem apoio do governo e de ONGS? E se tem, como você ver a atuação desses grupos em parceria com o Hip-Hop?
Isso mesmo, mas a coisa mudou um pouco devido a perseguição política do próprio movimento negro local, acabei sendo afastado do projeto onde eu dava aulas de dança de rua e graffite, para duas zonas rurais e zona urbana de nossa cidade, este projeto tem o apoio da prefeitura local, a participação dessa instituição governamental é de grande importância porque representa uma vitória nossa e um reconhecimento de anos de luta. É justamente isso que eu falei no início dessa entrevista, não adianta meter o pau no governo e não sentar pra saber das nossas condições e das condições dele, ele está ali, basta nós nos organizarmos e definir aquilo como prioridade de conquista, por que aquilo também é nosso, só devemos correr atrás do “prejuízo”.

Hip-Hop Alagoano -
O que a cidade de União dos Palmares, terra de Zumbi dos Palmares representa pra você? Fale-nos um pouco dela.
Morar aqui é se sentir guerreiro do dia-a-dia, vivendo sobre o preconceito da cidade, a falta de interesse de alguns cidadãos, mas não desisto, sou militante de um movimento grande, meu dever é cobrar nossos direitos assim como Zumbi cobrou de nosso povo. Pisar e morar aqui nesta terra é saber que aqui descansam grandes guerreiros não só negros, mas indígenas também, pois aqui é um solo sagrado e deve-se o total respeito ao nosso passado. Assim como eu, vários de consciência de liberdade de expressão são guerreiros quilombolas de verdade.

Hip-Hop Alagoano - Porque você acha que essa entrevista demorou tanta pra ser feita com você e como você ver o papel do blog Hip-Hop alagoano frente ao nosso movimento?
Nem sei...risos...o zazo pode responder? Não sei se é pelos boatos que eu estou afastado do movimento...risos...agora falar sobre o blog, é meio complicado, o zazo já viu as minhas opiniões, assim como o nome diz, HipHop Alagoano, devia dar mais ênfase aos grupos de nosso estado depois que rodar tudo o que nós tivermos pra mostrar aí sim, começamos a mostrar o trabalho dos caras de fora, está é a minha idéia. “primeiro, segundo eu, e depois é tu” ...risos....

Hip-Hop Alagoano - Quais são seus projetos do grupo União Dmcs e do Ice-Lu para o futuro?
Olha...Ao assunto do grupo de RAP, muita coisa vai mudar, vamos lançar nosso trabalho que talvez saia daqui pro fim ano, aqui no dia da consciência lançamos e conseguimos vender todos que tínhamos gravado...risos...agora sobre o meu trabalho este terá data para o ano que vem, espero ano que estar na Universidade Federal de Alagoas, estudando Jornalismo...risos...e o rap irá talvez parar um pouco nas minhas condições que terei que travar. Mas o Hip-Hop estará comigo em qualquer lugar que eu vá.

Hip-Hop Alagoano - Qual o motivo da saída do integrante kiko do Uniao Dmcs e qual o Dj que toca para o grupo hoje?


Bom, o motivo ele deve saber, não é menino pra isso, vários fatores foram responsáveis por essa ação, não tomada por mim, e sim por mim e pelo o meu parceiro, e este assunto de Dj é complicado aqui, aqui só tem Dj de música eletrônica...Risos...Quando temos show onde iremos ganhar uma qualidade de som e palco e é claro...Grana. Nós chamamos o Dj Afro-Jay de Maceió que sempre no dá um apoio com suas perfomances.

Hip-Hop Alagoano - Pra finalizar deixe um salve e um recado para todos que gostam ou criticam o seu trabalho.
Mando e deixo o meu salve para todos que estão na correria de suas vidas dentro do Hip-Hop ou fora dele, por que ninguém sabe dos problemas dos outros. Aqueles que de certa forma fizeram uma parte disso também aqui no estado, como o Jota, está no exterior, Dj Afro-Jay, DJP, Well, Juliman, Marcinho, PH, Chapelão, o Léo daqui de minha cidade, o Leandro pesão, o Luciano da santa fé, o Naldo que está em São Paulo, Cristiano, Pyll, Kiko Dumorro, Bil Boy, Adriano doido, Jéferson, meu parceiro Mano Gill, B.Boys da velha escola do breaking alagoano, tempo bom este!...rsrs..e especialmente a grande mulher que apoiou a cultura Hip-Hop daqui de minha cidade a Professora Márcia Susana, Coordenadora do projeto em que eu trabalhei.
E para aqueles que falam mal de mim...”Risos” só tenho pena de vocês, não sabem de nada, estão nos corre ainda e ficam cheios de conversa fiada sem saber até do mesmo do que fala, são como vermes que não servem para nada, podem falar mais de mim, por que assim saberei que ainda estarei vivo, e vou render muito aqui na terra... Salve Família Hip-Hop, Paz!
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Baixe o CD do União Dmc's!!!



Nome das Faixas:
01 - Eu boto fé no movimento
02 - Zumbi
03 - Resistência
04 - A Bela e o Plebeu (part. PH)
05 - Eu Tô chegando
06 - Som de Drão
07 - Esta Noite (Part. PH)
08 - Mais um sobrevivente
09 - Algo de se admirar
10 - A Mensagem
11 - Sou + 1 Guerreiro
12 - Quem Tem Fé
13 - Pare em Quanto é tempo
14 - Zumbi Parte 2

Link:

http://www.4shared.com/file/76285419/15478597/Unio_Dmcs.html?dirPwdVerified=23ac3dfd
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Um comentário:

martins disse...

colokam a a letra das musicas mano flw.. fikem com deus